Colônia Praia Grande

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Embora sua emancipação política seja relativamente recente, a área compreendida hoje pelo município de Praia Grande foi uma das primeiras regiões colonizadas pelos portugueses, o que se iniciou com a chegada do fidalgo Martim Afonso de Sousa em 1532. A primeira vila fundada pelo explorador enviado pela coroa portuguesa foi justamente a de São Vicente, a qual Praia Grande permaneceu como parte até 1967.

Até o início do século XX, Praia Grande não passava de um vilarejo, com poucas construções esparsas e um número ínfimo de moradores, que se dedicavam basicamente à pesca e à agricultura de subsistência. O grande salto no desenvolvimento da cidade se deu à partir da década de 1910, com a inauguração da Fortaleza de Itaipú e com a construção da Ponte Pênsil, esta ainda no município de São Vicente, com a finalidade de dar acesso à fortaleza recém-construída à Ilha de São Vicente, onde se localizam às cidades de Santos e São Vicente. Logo após, na década de 1920, Praia Grande, pela primeira vez, viu seu atual território interligado por terra, graças a ligação telegráfica entre Itanhaém e Santos, o que obrigou à abertura da Avenida do Telégrafo Nacional, hoje denominada Avenida Presidente Kennedy, principal corredor urbano da cidade.

Com isso, diversos migrantes foram atraídos para o então distrito rural de São Vicente, dada a existência de terra em abundância e a fácil ligação à principal cidade da região, Santos. Todavia, ao longo dos tempos, a morosidade da Prefeitura de São Vicente para resolver os problemas de Praia Grande, que era tratada como um bairro periférico, onde faltavam escolas, hospitais, saneamento básico, iluminação pública, abastecimento de água e luz, transportes, entre outros, começou a irritar os moradores locais. No começo do século XX, surge o primeiro movimento pró-emancipação, que defendia a criação de um município no atual distriro de Solemar, movimento este que logo acabou se dissipando.

Mas o ideal de autonomia político-administrativa não foi sepultado. Em 1953, o líder local Julio Secco de Carvalho encabeçou, juntamente com Nestor Ferreira da Rocha, Heitor Sanchez Toschi, Dorivaldo Loria Júnior e Israel Grimaldi Milani, um novo movimento pela emancipação de Praia Grande. Esse grupo ficou cohnecido como “Os Emancipadores”. São Vicente, por sua vez, tentava rechaçar qualquer tentativa de emancipar o então longínquo distrito, pois isso significaria uma perda de 24 quilômetros de praias, com um potencial turístico sub explorado até então. Mesmo com toda a resistência sofrida, os emancipadores conseguiram que fosse realizado um plebiscito na região, afim de se verificar a vontade da população local. Em 1963, o plebiscito foi realizado, sendo que a emancipação foi a alternativa escolhida pela maioria esmagadora da população. Mesmo assim, ainda se passariam alguns anos até que Praia Grande conquistasse sua autonomia.

Em 19 de janeiro de 1967, após uma longa e árdua luta, finalmente Praia Grande conquistou o status de município, sendo nomeado como interventor federal o engenheiro Nicolau Paal, e instalando-se, provisoriamente, a prefeitura no Ocian Praia Clube. Em 15 de novembro de 1968, foi realizada a primeira eleição municipal em Praia Grande, onde foi eleito como prefeito Dorivaldo Loria Júnior.

Após a emancipação, a cidade acelerou levemente o rítmo de crescimento experimentado desde a década de 1950, ganhando, no entanto, maior qualidade em seus serviços públicos, dada a proximidade do poder municipal com a realidade da população local. Na década de 1980, a cidade ganha novo impulso para seu crescimento, com a inauguração da Ponte do Mar Pequeno, trecho final da Rodovia dos Imigrantes, ligando a Ilha de São Vicente à cidade, e resolvendo dois problemas de uma só vez: além de desafogar o trânsito na saturada Ponte Pênsil, a cidade ganhava uma ligação direta à Capital, sem a necessidade de se passar pelas cidades de Santos e São Vicente, afim de acessar a Via Anchieta, única opção para se chegar á capital. Assim, Praia Grande passou a ser o balneário mais próximo da capital.

No entanto, esta facilidade de acesso trouxe grandes inconvenientes: uma enxurrada de turistas de um dia (popularmente conhecidos como “farofeiros”), de baixa renda, começaram a invadir as extensas praias da cidade, Isto, somado ao grande crescimento populacional e ao quase inexistente saneamento básico, tornaram a balneabilidade das praisas quase impossível. Grandes canais de esgoto cortavam as areias, lançando no mar os dejetos sem qualquer tratamento. Em 1992, a cidade já contava com 120 mil habitantes, e menos de 10% dos seus domicílios possuia coleta de esgoto que não era tratado, sendo lançado por um velho emissário submarino a apenas 400 metros das praias. Menos da metade dos logradouros públicos eram pavimentados, o tratamento paisagístico dos pontos turísticos era inexistente, não havia sequer um semáforo instalado na cidade, as linhas de ônibus não atendiam aos novos bairros surgidos, entre outros grandes problemas.

A partir de 1993, no entanto, a cidade passou por uma verdadeira revolução: o sistema de transportes foi totalmente remodelado, mais de 90% das ruas foi pavimentada, o esgoto passou a ser coletado em 600% dos domicílios, tratado e arremessado a mais de 2Km da costa (número que, até 2008, chegará a 100%), a orla da praia e os principais pontos turísticos foram totalmente reurbanizados, proibiu-se a entrada de ônibus de excursões sem prévia licença da prefeitura, o sistema viário foi totalmente revisto e readequado, em intervenções que ocorreram até 2006.

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